NÃO PODIA ALGEMAR O SUSPEITO III: REBOLATION

4 jun

Para que serve a Polícia Militar?

Com a música “Polícia“, Os Titãs já nos ensinavam na década de 80 :

“Dizem que ela existe”

“Prá ajudar!”

“Dizem que ela existe”

“Prá proteger!”,

Já para 03 jovens que aparecem no vídeo acima, a parte da música dos Titãs que melhor se ajusta ao que eles viveram é outra:

“Dizem prá você”

“Obedecer!”

“Dizem prá você”

“Responder!”

“Dizem prá você”

“Cooperar!”

“Dizem prá você”

“Respeitar!…”

O vídeo acima é real e foi feito com 03 adolescentes no Pará, que foram obrigados a dançar enquanto os policiais militares que os estavam detendo gravavam a cena ao som de uma paródia da música Rebolation, o Baculation, em alusão a gíria paraense bacular, que significa revistar suspeito (do que?) (veja links: G1, BOL Notícias, SRZ).

O que chama atenção nesse caso é que foram os próprios policiais militares que lançaram no You Tube o vídeo feito por eles, segundo informações noticiadas, o que leva a crer que eles não acreditavam que seriam investigados e punidos pelo que fizeram. Igualmente relevante o fato de os grandes jornais não publicarem matéria sobre o fato, imagino que pq tudo aconteceu no Pará, com 03 garotos com a cor errada.

Há uma necessidade de mudarmos a forma como a Polícia Militar treina e comanda seus integrantes, no Pará, no Rio ou em São Paulo, pois toda semana surgem novas notícias que comprovam o despreparo dos policiais militares para lidar com a população, especialmente a mais pobre, que não tem meios para reagir a esse tipo de agressão, até por não encontrar nos órgãos públicos amparo para seus pleitos, pois esses são indiferentes a violência policial.

No quadro geral de indiferença se destaca o Ministério Público, que pouco ou nada faz em relação aos casos de abuso policial, especialmente quando envolve o uso de tortura (que é um crime) para obter uma confissão, pouco importando nesses casos se aquele que confessou tenha de fato cometido algum crime. Coincidência ou não, mostra-se relevante no caso do “Rebolation Paraense” o fato de a mãe de um dos jovens primeiro ter procurado a Defensoria Pública, para só depois Ministério Público ser acionada pelos Defensores, pois esses são vistos pela população como receptivos aos seus pleitos.

Um bom exemplo dessa indiferença do Ministério Público, que é cotidiana, aconteceu em São Paulo, com os indiciados e acusados pelo estupro e morte de uma estudante de 22, crime confessado posteriormente pelo criminoso conhecido como Maníaco de Guarulhos (link). Marcante é a fala do membro do Ministério Público sobre a alegação de que a confissão teria acontecido após tortura:

Ouço isso em todos os processos. É claro que a PM não chega na casa do acusado e diz: `O senhor está sendo acusado de matar uma pessoa. Confesse o crime´. É claro que a polícia vai no local já dizendo: `A casa caiu. É melhor vocês confessarem logo´. E ele confessou´.

Observe-se na fala do promotor que ele sabe como a Polícia Militar age, intimidando e forçando a confissão, mas isso não o incomoda, não o pertuba, nem lhe retira a certeza para denunciar, já que ao final há uma confissão e isso é suficiente para que promova a denúncia, ainda mais num caso de violência sexual, o que lhe traz prestígio pessoal. Pouco importa que a Constituição de 1988, em seu art. 144, atribua o poder de investigar crimes à Polícia Civil e não a Polícia Milita: o que importa é alguém foi preso e confessou.

Novamente, nos deparamos com um exemplo da indiferença com que uma instituição atua frente ao que acontece com aqueles que estão a margem da sociedade, sem qualquer apoio, entregue a própria sorte.

Esses dois casos são mais dois exemplos de que precisamos pensar menos em lei perfeitas e mais nas imperfeições das instituições que as aplicam.

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Uma resposta to “NÃO PODIA ALGEMAR O SUSPEITO III: REBOLATION”

  1. Observador junho 4, 2010 às 5:41 pm #

    Carbonários eram garotos, colhedores de madeira, lenhadores, carvoeiros, sem instrução, infantes, de mãos sujas, espírito infantil, e cegamente obedientes. A infantaria, os soldados, a bucha, dispensável, substituível, Morlocks adestrados pro Elois, com promessas em troca de subserviência. Fitas e medalhas em troca de sacrifícios. São assim, desde sempre.

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